“O que é possível dizer sobre Troche que ele mesmo não tenha silenciado, já que seus desenhos, apesar de invisíveis, são tão eloquentes?

Nada.

Por isso só me resta fazer como vários de seus personagens: me deitar e deixar que um balão de pensamento se forme sobre minha cabeça. É mais ou menos nesse estado que Troche nos convida a passear por estes desenhos. O que parece fundamental é perder o sentido de realidade para que o invisível se realize.

Aí descobrimos umas coisas. Por exemplo, que os desenhos parecem “surgidos”, e não desenhados. É como se, com uma folha de papel, ele filtrasse ideias que passam distraídas ao lado. Troche levanta a folha e a ideia se revela lentamente através dela, o que explica a invisibilidade dos desenhos: estamos focando um pouco além deles, na ideia que se move do outro lado. Dessa maneira, ele consegue uma coleção de revelações. E, de fato, cada página deste livro é uma janela – que faz companhia a outras janelas.

As janelas de Troche são autônomas, pois se organizam e se reordenam e se afastam como nós fazemos, o que mais ou menos nos iguala a elas. O que, afinal, poderia nos igualar a ideias que passam fugidias, que se inventam e se revelam muito suavemente.

Também descobrimos no meio do caminho que, apesar de a viagem ser solitária, não estamos sozinhos.

Tudo isso parece tão claro e talvez o seja exatamente por ser invisível e pela maneira com que se revelou a Troche. Ele consegue isto: o paradoxo de construir sentidos com metáforas absurdas e nos apontar um caminho inequívoco que se bifurca em um labirinto transparente.

Aprendemos também com ele que, para saber as horas, basta olhar no espelho.”

Fabio Zimbres, quadrinista

 

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                            Adão Iturrusgarai, quadrinista

 

 

 

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“Desenha a mão, artesanalmente. Poucos elementos: um vidro de nanquim, um pincelzinho e água. Isso é tudo. Não precisa mais para nos hipnotizar. Como os bons músicos, um instrumento lhe é suficiente para encher de magia as horas. Equilibristas, violinistas, árvores, pássaros, lanternas, chuvas, estrelas, sombras, homens e mulheres são alguns dos atores de suas páginas. Nos interrogam sem querer. Em silêncio. E a gente sente, por um momento, que está à altura da metáfora. Depois a gente já não tem certeza, mas não importa. O prazer funciona assim às vezes.

Troche é austero, parece compor intuitivamente. Troche não consegue explicar o que ele faz. Não sabe, arrisco dizer. É autor e inocente. Seus desenhos o transcendem. Nos falam de coisas insondáveis. A ele e a nós. Poético, profundo e sutil. Assim é o universo deste desenhista, deste ignoto e grande autor.”

Tute, quadrinista argentino

 

“Os quadrinhos de Gervasio Troche são mudos. Eu imagino que isso seja porque alguma vez ele teve uma visão do cosmos interior tão poderosa, que o deixou sem palavras. E, depois, somente ficou a possibilidade do desenho.

“Eu desenho com a borracha”, me comentou em uma ocasião. Claro que referia-se, então, ao ato de apagar o lápis da página. Mas acho que também queria explicarme que seus desenhos são invisíveis. Pelo menos, foi isso que eu sugeri para ele. Não porque não sejam visíveis para o olho humano, mas porque transparecem e permitem perceber o espaço e a paz que flutua embaixo deles. Ou, dito de outra maneira: consegue concretar o ar no papel.

Graças a esses desenhos conheci o Gervasio, sem conhecê-lo. E depois, quando finalmente nos cruzamos, em Buenos Aires, consegui ver uma uma pessoa alinhada com sua obra de uma forma muito natural. A honestidade não pode ser fingida e menos ainda em um desenho. Por isso ouso dizer que estes desenhos também são invisíveis porque revelam uma pessoa que não esconde seus sentimentos. Troche é um sonhador, um homem com uma missão que transcende as rotinas das nossas vidas.

Nas suas páginas é comum se encontrar com telescópios, lanternas, farois e janelas. A questão, para Gervasio, é poder olhar. Se bem que ainda não sei o que ele está procurando. Apenas indaga e depois nos mostra uma pequena parte daquilo que foi indagado. Mas essa pequena parte é, para muitos, um presente valioso.

O interessante é que os telescópios parecem apontar para fora, pela janela, procurando os astros mais distantes. Mas na realidade olham para dentro. Um tipo de telescópio que é a graça de alguns possuir. Que nem o mais avançado cientista poderia construir. O que permite a observação direta para o que acontece dentro.”

Kioskerman, quadrinista argentino

 

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